Privaty Equity nos mercados emergentes: algumas regiões têm problemas, outras prosperam


10/09/2014

Emerging Markets Private Equity: Some Regions Struggle, Others Blossom

Se você não compareceu ao Fórum Econômico Mundial em Davos, no começo do ano, Peter Vanham, do Financial Times, foi de grande ajuda.  Isso porque ele conseguiu encurralar dois grandes investidores de fundos de private equity de mercados emergentes no corredor durante o Fórum, e eles confirmaram o que a maioria de nós provavelmente já sabia.  Vislumbrar qualquer coisa útil escutando os painéis sobre as perspectivas para os mercados emergentes é quase impossível.

Fincar os pés no chão é a mensagem.  Então e somente então, você pode identificar as oportunidades reais, avaliar corretamente os riscos e realizar negócios com maior confiança em um retorno decente.

Dê olho na nova fronteira

Reserve um momento para ler o artigo de Vanham. Nele, os dois investidores em questão, Paul Fletcher, da Actis, e Sev Vettivetpillai, da Abraaj, compartilham com ele suas ideias.  À exceção da China, o brilho em outros países do BRIC para os fundos de private equity diminuiu, segundo especialistas.  Seus governos e economias parecem ter perdido o rumo, deixando de proporcionar aos fundos de private equity uma percepção de estabilidade a longo prazo.  Em seu lugar, alguns mercados fronteiriços saltaram para o alto dos gráficos, no que se refere à atenção recebida dos fundos de private equity.  Vettivetpillai identificou duas regiões particulares – a chamada “Aliança do Pacífico”, que inclui o Chile, Peru, Colômbia e México, além da África Subsaariana, particularmente Nigéria, Gana, Quênia, Uganda, Tanzânia e Moçambique – em relação às quais ele nutria grandes expectativas.  Aqui você encontrará crescimento sustentado, alimentado pelo revival da infraestrutura e do consumo doméstico.  Embora nenhum dos dois cavalheiros planejasse abandonar o contingente do BRIC por completo, eles claramente planejavam prestar mais atenção a outras regiões mais jovens (em termos de mercado emergente).

Avance rápido seis ou sete meses, até junho e julho.  Por sorte, era o momento de as empresas de pesquisas, associações e consultorias de gestão em todos os lugares publicarem os seus dados e observações de meio de ano do setor de capital privado.  É uma boa oportunidade para dar uma olhada no que aconteceu até agora em 2014, ver como os investidores de fundos de private equity de mercados emergentes se comportaram e apostar se as ideias dos nossos dois grandes investidores de fundos de private equity em janeiro se transformaram em tendências sólidas.

Então, como nos saímos este ano?

O árbitro de tudo o que se refere a fundos de private equity em mercados emergentes é a EMPEA, a Associação de Participação Privada dos Mercados Emergentes com sede em Washington DC.  De acordo com o boletim de segundo semestre da EMPEA, no primeiro semestre do ano, os fundos voltados para Ásia, Europa Central e Europa Oriental, América Latina, Oriente Médio e África geraram um total combinado de US$19,91 bilhões – equivalente ou até mesmo melhor que o total de US$ 38,74 milhões para todo o ano de 2013.  O montante gerado neste ano representa uma parcela de 13% dos fundos totais gerados por fundos de private equity globalmente até agora – um ligeiro aumento em relação ao ano anterior.

Por outro lado, os investidores geraram 542 negócios no valor total de US$ 13,93 bilhões nessas regiões no primeiro semestre, um ritmo que promete superar facilmente as 972 transações no valor de US$ 26,81 bilhões realizadas no ano passado.  Em 10% do total do capital de private equity investido no mundo inteiro, não há qualquer flutuação nesta tendência em relação aos anos anteriores.

Entretanto, olhe além das manchetes e não demorará muito para encontrar inconsistências.  Em outro slide, a EMPEA apresenta os dados de investimento de capital privado como uma porcentagem do PIB do país ou região em 2012 e 2013.  Embora a região da pan-Ásia não seja coberta (nem a China, estranhamente), o que é notável é que, em quase todos os casos a fatia apresentou redução, com a exceção de Coreia do Sul, África Subsaariana, África do Sul e Polônia.

Assim, algumas áreas tropeçaram, enquanto outras dispararam à frente.  Em seu blog sobre private equity no The Wall Street Journal, Hillary Canada recém publicou “Cinco coisas que você precisa saber sobre o primeiro semestre dos fundos de private equity nos mercados emergentes.”

Tudo o que ela destacou foi bem observado e provou ser verdade.  Contudo, algumas das tendências observadas simplesmente serão detonadas.  A atividade de negócios pode estar em ascensão no Oriente Médio e no Norte da África, mas ainda está longe dos seus máximos anteriores.  A situação de segurança que se desdobra em vários países da região não prenuncia coisas boas para qualquer ímpeto contínuo.  Além disso, embora a Rússia e a Europa Central e Oriental possam ter gerado os melhores retornos ao longo dos últimos dez anos, quem ainda considera, atualmente, que essas regiões são atraentes?  Se você pensa que sim, lembre-se de uma palavra:  Ucrânia.

E quanto a outros locais?

Uma tendência ignorada é a crescente atração da África subsaariana para os fundos de private equity.  Em um Instantâneo do Mercado de Private Equity para a EMEA publicado trimestralmente pela S&P Capital IQ, a região da EMEA  elevou sua alocação à África Subsaariana em 800% nos primeiros quatro meses do ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior.  Com empresas norte-americanas como a Carlyle fechando fundos exclusivos para a região subsaariana, certamente há uma grande movimentação ocorrendo, e vale a pena prestarmos atenção.

Sev Vettivetpillai e Paul Fletcher estavam certos sobre a África subsaariana, mas e quanto à Aliança do Pacífico?  Mais uma vez, eles tinham razão.  A estrela da Colômbia brilhou no primeiro semestre.  Com investimentos de US$ 462 milhões, isso é mais do que em 2012 e 2013 combinados.  A Bain publicou um relatório afirmando que o México está “em condições ideais para o crescimento dos fundos de private equity.” Já tendo gasto US$ 750 milhões para adquirir uma participação majoritária na empresa mexicana Fermaca, o Partners Group está abrindo uma filial em Houston e tentando angariar mais US$ 500 milhões para a construção de mais tubulações de gás natural.

Uma dose de realismo

Os modelos aparentes atuais de investimento em private equity podem se tornar rapidamente os párias de amanhã.  Basta olhar para a Rússia.  É fácil se deixar levar pela emoção em locais exóticos.  O terrorismo é um real risco na Nigéria e no Quênia.  A África Ocidental em geral está lutando com a ameaça do Ebola.  À medida que as economias do mercado desenvolvido continuam melhorando, há menos capital disponível para esses mercados novos e arriscados de private equity.

Contudo, o ímpeto de investimento tem aumentado, e com fundos exclusivos e filiais sendo abertas, parece que os fundos de private equity vieram para ficar.  Os fundamentos econômicos e demográficos são muito convincentes.  Qualquer retirada será temporária e tática.



Allan Cunningham

Allan Cunningham

Allan Cunningham é executivo sênior de mídia e passou os últimos 15 anos da carreira trabalhando para algumas das empresas de mídia mais respeitadas de M&A e Private Equity, incluindo as publicações da Dow Jones, Private Equity Analyst e VentureWire, e, mais recentemente, The Deal. Ele desenvolveu vários negócios bem-sucedidos de conteúdo digital e de eventos, tanto de assinatura quanto com apoio de patrocinadores, distribuindo informações e serviços de marketing de conteúdo para clientes no ecossistema de M&A e de negócios mais amplos.

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