Que atividades de M&A geram maior valor para o acionista?

Quais atividades de M&A geram mais valor ao acionista? Veja na pesquisa de M&A realizada pela Intralinks e o Cass Business School da City University London.


18/11/2014

Sabemos que fazer negociações pode ajudar as organizações a crescer rapidamente — tanto por meio da expansão de suas soluções e operações de escala quanto da criação de novas oportunidades de mercado.

Mas a verdadeira pergunta é: a atividade de M&A gera valor para os acionistas?

Estudos anteriores sobre o valor destinado aos acionistas proveniente da atividade de M&A focam em como negociações individuais impactam o valor durante curtos períodos — geralmente mostrando fortes retornos positivos para alvos e retornos negativos para os adquirentes.

Contudo, desejávamos nos aprofundar um pouco mais. Para responder verdadeiramente à pergunta, realizamos uma pesquisa em parceria com o M&A Research Centre na Cass Business School da City University de Londres sobre a relação entre a atividade de M&A e a criação de valor para os acionistas. Juntos, avaliamos o desempenho dos negócios e a atividade de M&A de 25.000 empresas globais durante um período de 20 anos.

O estudo global analisa o efeito da atividade de M&A sobre o desempenho das empresas em relação aos seus programas de M&A durante diferentes períodos. Os resultados revelaram que as relações entre a atividade de M&A e os retornos para os acionistas são mais complexas em comparação a noções anteriores. De modo que, quando uma abordagem estratégica é levada para a gestão do portfólio de M&A, as organizações podem superar o mercado consideravelmente (bem como os próprios concorrentes). Algumas das principais descobertas do estudo incluem:

 

 

 

 

 

 

  • A inatividade de M&A leva ao baixo desempenho — As empresas têm desempenho abaixo do mercado durante os períodos em que não anunciam nenhuma aquisição ou desinvestimento; e ainda mais significativamente têm desempenho inferior ao de empresas que anunciam uma ou duas negociações por ano. Descobrimos que o retorno para os acionistas em empresas inativas é de 1,5% ao ano mais baixo que para o mercado em geral; e 3,2% ao ano mais baixo que para as empresas que anunciam uma ou duas negociações por ano.
  • Aquisições mais frequentes conduzem a melhor desempenho — As empresas têm desempenho superior em relação ao mercado quando anunciam aquisições com maior frequência. As empresas têm desempenho superior em relação ao mercado em 0,1% ao ano durante os períodos em que anunciam uma ou duas aquisições; 2% ao ano durante os períodos em que anunciam três a cinco aquisições; e 3,4% ao ano durante os períodos em que anunciam seis ou mais aquisições.
  • Atividades moderadas de desinvestimento resultam em melhores desempenhos - Considerando apenas a atividade de desinvestimento, as empresas só têm um desempenho superior ao do mercado durante os períodos em que anunciam um número limitado de desinvestimentos e têm um desempenho significativamente inferior ao do mercado quando anunciam desinvestimentos com maior frequência. O retorno total aos acionistas durante os períodos em que as empresas anunciam um a dois desinvestimentos é de 2,3% ao ano acima do mercado. No entanto, as empresas têm um desempenho inferior ao do mercado em 3,3% ao ano durante os períodos em que anunciam três a cinco desinvestimentos, e em 3,6% ao ano durante os períodos em que anunciam seis ou mais desinvestimentos.
  • Empresas iniciantes têm desempenho superior ao do mercado quando anunciam aquisições com alta frequência — Empresas recém-listadas publicamente têm desempenho inferior ao do mercado em 5,6% ao ano durante os primeiros três anos após a listagem. No entanto, quando essas empresas iniciantes anunciam seis ou mais aquisições durante os três primeiros anos, elas têm desempenho superior ao do mercado em 3,8% ao ano.
  • Empresas mais antigas têm desempenho superior ao do mercado quando anunciam desinvestimentos com uma frequência limitada — Apenas empresas de idade mediana e mais antigas (aquelas que foram listadas publicamente por 3 a 9 anos e 10 anos ou mais, respectivamente) têm desempenho superior ao do mercado quando anunciam um ou dois desinvestimentos a cada três anos.
  • Empresas com programa estratégico de gestão de portfólio de M&A fornecem melhores retornos para os acionistas - As empresas fornecem maiores retornos totais para os acionistas quando têm um programa estratégico balanceado de gestão de portfólio de M&A. Isso inclui pelo menos uma aquisição por ano e um ou dois desinvestimentos a cada três anos (mas somente após terem sido listadas publicamente durante pelo menos três anos).

Como podemos interpretar essas conclusões?

Acredito que as seguintes conclusões podem ser extraídas das descobertas dessa pesquisa:

 

 

 

 

 

  • Tenha uma estratégia de negociação—Se você não tem uma estratégia de M&A, então precisa obter uma. Caso contrário, por ser uma empresa, você corre o risco de ter um baixo desempenho. Como mostra o estudo, as empresas inativas têm desempenho inferior ao do mercado e também, mais significativamente, inferior ao dos concorrentes mais ativos.
  • Participe de aquisições com frequência para ter desempenho superior  — As empresas que participam de aquisições com frequência têm desempenho superior porque estão tomando duas medidas:

     

     

    • Sinalizando aos investidores que elas têm uma estratégia inorgânica de crescimento (M&A), que complementa o crescimento orgânico e que podem executar essa estratégia. Uma combinação de M&A e crescimento orgânico acelerará o crescimento, por isso elas são recompensadas com desempenho superior de retorno total para os acionistas em relação ao mercado.
    • Ao comprar com mais frequência, as empresas adquirem experiência e se tornam melhores nisso. Triagem de alvos, seleção, realização de negociações e integração: tudo isso pode gerar um crescimento mais rápido.
  • Empresas iniciantes podem ter desempenho superior com a estratégia correta — Geralmente, as empresas iniciantes (em seus três primeiros anos de listagem pública) têm desempenho significativamente inferior ao do mercado (mais riscos, lucros voláteis etc.). No entanto, as empresas iniciantes listadas e que têm uma estratégia de M&A no momento da listagem, conseguem realizar aquisições frequentes em seus três primeiros anos, reverter essa tendência e ter desempenho significativamente superior. Mais uma vez, afirmo que isso ocorre em função do comportamento de sinalização das empresas iniciantes e ativas em M&A de que elas têm uma estratégia positiva de crescimento inorgânico e podem executá-la. Esse comportamento parece ser recompensado por um desempenho superior.
  • Empresas mais antigas podem ter desempenho superior com a frequência correta de desinvestimentos - Uma vez que uma empresa tenha atingido um nível de maturidade (após três anos), desinvestimentos limitados e seletivos (um ou dois a cada três anos) também parecem estar associados ao desempenho superior. Por exemplo, pense nisso como um corte ocasional do portfólio de negócios da empresa para eliminar ativos não essenciais ou com desempenho inferior, com os rendimentos disponíveis para reutilização em aquisições de valores mais elevados.
  • Uma estratégia de M&A deve refletir o ciclo de vida da maturidade da empresa — A estratégia de M&A de uma empresa não é estática, mas deve refletir seus diferentes estágios de desenvolvimento, como:

     

     

     

    • Quando você for iniciante, compre com frequência para sinalizar crescimento para os investidores.
    • De modo geral, quanto mais frequentemente você comprar, melhor se tornará nas compras.
    • Quando você for mais experiente, continue a comprar, mas também procure ocasionalmente se desfazer de ativos que não estejam contribuindo para o crescimento ou desempenho financeiro.


Se quiser saber mais sobre a nossa pesquisa, baixe agora uma cópia gratuita do relatório “Mestres da Negociação: Parte 1 - Aprendendo com as empresas mais bem-sucedidas”.

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