Por que Deve Compensar Assumir Riscos nas Atividades de M&A

Se você ainda não tem uma sólida estratégia M&A para a sua empresa, é hora de começar para evitar um desempenho ruim. A pesquisa revela que correr riscos em M&A pode valer a pena.


31 March 2016

Se você não tem uma sólida estratégia de M&A na sua empresa, é hora de criar uma, a fim de evitar um desempenho abaixo do desejável.

O pensamento tradicional é que deals de M&A não geram valor para o acionista, com base em conclusões de análises dos retornos no curto prazo de transações muitas vezes isoladas. Em um estudo recente conduzido pelo M&A Research Centre da Cass Business School em cooperação com a Intralinks, examinamos aproximadamente 25.000 empresas, envolvidas em mais de 265.000 transações durante um período de 20 anos, para avaliarmos o relacionamento entre a atividade de M&A e a criação de valor para o acionista.

A nossa pesquisa assumiu uma abordagem diferente da sabedoria popular, analisando todo o portfólio de transações de uma empresa durante um período muito longo, em comparação com a maioria dos estudos que atentam para deals individuais. Concluímos que, com uma abordagem estratégica à gestão do portfólio de deals de M&A, as empresas podem superar significativamente o desempenho do mercado e a concorrência.

Os resultados da pesquisa demonstram que a participação mais frequente em atividades de M&A e o envolvimento em um conjunto de atividades estratégicas específicas geram maiores retornos aos acionistas.

Atributos comuns de estratégias de M&A bem-sucedidas

Avaliamos criteriosamente as estratégias de M&A das empresas de maior desempenho (que no relatório denominamos "Excelentes Gestores do Portfólio Corporativo” ou ECPMs), da perspectiva de criação de valor para o acionista. A pesquisa revelou os atributos comuns em estratégias de M&A de ECPMs que tinham uma influência significativa no desempenho superior em relação a outras empresas e ao mercado. Com base nas conclusões, os ECPMs:

• Têm estratégias mais ousadas de M&A com maior risco de execução, por exemplo, realizar deals internacionais
• Fecham o deal com maior rapidez
• Têm maior envolvimento com patrocinadores financeiros e empresas de capital aberto
• Empregam mais pagamentos totalmente em dinheiro nas aquisições
• Assumem aquisições menores em relação ao tamanho de suas próprias empresas
• Obtêm um maior valor com aquisições do que com reduções de ativos

Ousadia nos deals

Como destacado acima, a pesquisa revelou que os ECPMs se envolvem em uma proporção mais alta de deals de maior risco que outras empresas. Interessantemente, os ECPMs iniciam um número superior de deals internacionais e hostis em relação à sua atividade total de M&A.

• As transações internacionais respondem por 37% do valor total da atividade de M&A por ECPMs, em comparação com 26% do valor de todas as aquisições por outras empresas.
• Os ECPMs conduzem quatro vezes mais aquisições hostis que outras empresas, respondendo por 1% do valor de todas as aquisições e reduções de ativos, em comparação com 0,5% para outras empresas.

Fonte: Relatório Masters of the Deal: Part II (Mestres da Negociação: Parte II)


As conclusões do estudo sugerem que os ECPMs se dispõem a assumir maior grau de risco em suas estratégias de M&A, o que pode resultar em desempenho superior, em vez de tomarem o caminho mais simples com deals de fácil concretização. Ao conduzirmos entrevistas com alguns ECPMs, conversamos com um Vice-Presidente de Desenvolvimento Corporativo de uma empresa de engenharia do Reino Unido que concorda com esta conclusão: “Atualmente, a atividade de M&A é uma estratégia bem explorada. Assim, as oportunidades foram reduzidas e negócios sem riscos tendem a não gerar os resultados desejados. Portanto, no ambiente atual, os gestores de portfólio precisam assumir riscos.”

A pesquisa sugere que ECPMs também são mais estratégicos com aquisições e reduções de ativos, em comparação com outras empresas. Como ilustrado no gráfico acima, os ECPMs envolvem-se substancialmente com empresas de Private Equity e empresas de capital aberto, no que se refere à compra e venda de ativos. Os resultados mostram que 10% do valor das aquisições e reduções de ativos de ECPMs são com uma empresa de Private Equity, em comparação com 7% do valor para outras empresas. Além disso, 50% do valor das aquisições e reduções de ativos de ECPMs são com outra empresa de capital aberto, em comparação com 43% do valor de outras empresas.

Portanto, na próxima vez que você quiser ter segurança em um deal, repense. Um deal arriscado pode ser exatamente o que a sua estratégia de M&A precisa. Se quiser obter um exemplar da pesquisa para informar a estratégia de M&A da sua empresa, faça download do relatório “Masters of the Deal: Part II” (Mestres da Negociação: Parte II). Insira os seus comentários a seguir para sabermos o que você achou da pesquisa.



Professor Scott Moeller

Professor Scott Moeller

Scott Moeller é Diretor e fundador do M&A Research Centre da Cass Business School, onde também é professor de Prática Financeira. O livro mais recente de Scott foi publicado pela John Wiley & Sons em julho de 2009: Sobrevivendo em M&A: Making the Most of Your Company Being Acquired (Tirando o Máximo Proveito de sua Empresa Adquirida). Outro livro, agora na segunda edição de 2014 (com coautoria do professor Chris Brady), tem como título M&A Inteligente: Navegando no Campo Minado de Fusões e Aquisições.