Aflição no setor de óleo e gás

Uma vez que o preço do petróleo caiu, a OPEP não mostra nenhum sinal de alterar a sua decisão de manter os níveis de produção existentes. Quais são as expectativas do mercado de M&A?

14/01/2016

Aflição no setor de óleo e gás

Enquanto o resto do mundo desenvolvido que devora petróleo, esfrega as mãos com satisfação e conta o dinheiro extra nos bolsos nesta época de petróleo mais barato, pense um pouco no pessoal que trabalha no setor de óleo e gás. Você descobrirá que o que ocorre nesse setor é o oposto.

Vemos sobrancelhas cerradas e bolsos vazios. Desde que o preço do petróleo caiu cerca de 50% nos últimos seis meses, por enquanto, a OPEP não mostra sinais de alterar sua decisão de manter os níveis atuais de produção. As expectativas do mercado sobre quando a oferta excessiva começará a diminuir ainda não estão claras. O preço ainda não chegou ao nível mais baixo. Quando os preços iniciaram seu declínio em queda livre, os produtores dos EUA começaram a tropeçar sob o peso de suas dívidas — mais ou menos US$ 200 bilhões, para sermos exatos. Quanto mais vitalidade os preços do petróleo perderem, mais as companhias se inclinarão rumo ao precipício. Espere uma onda de consolidações entre os produtores com finanças mais instáveis.

Acúmulo de dívidas baratas

O setor de óleo e gás sempre foi um negócio de alto risco e capital intensivo. Na corrida do ouro, algumas empresas acumulam muitas dívidas. Tentadas por baixas taxas de juros, essas empresas optaram por empilhar uma montanha de dívidas, em vez de distribuírem seu patrimônio líquido para financiar seus planos de capital e desenvolver suas reservas. Elas estavam certas de que poderiam pagar suas obrigações facilmente, com a expansão prevista de seus fluxos de caixa, acontece que não foi bem assim. Os negociadores do setor de óleo e gás estão contra a parede. Eles enfrentam encolhimento na receita e na margem de lucros, sem alívio à vista. O mercado se encaminha para um aumento em negociações de xisto a preços de liquidação.

Os investidores e seus consultores estão testemunhando o endividamento total de grande quantidade de produtores de xisto e petróleo convencional nos EUA que, em seu entender, não sobreviverão ao declínio nos preços. Se o preço do petróleo continuar despencando, a impressão é que esses produtores terão de correr para os braços de um pretendente ou se submeter humildemente a uma reestruturação completa. Para alguns investidores, o setor de energia raramente foi mais atraente. Até mesmo aqueles que agora estão no lado das perdas dos deals do setor de energia feitos na época do boom do xisto estão otimistas. O potencial retorno financeiro oferecido por um misto de oportunidades de dívidas antigas e possibilidades de M&A é muito alto.

Falência, reestruturação ou venda a preço baixo?

Então, se você é um negociador de bolsos vazios no setor de xisto, quais são as suas opções? A falência é sempre uma possibilidade, mas é melhor evitá-la, a menos que haja um modo de extrair maior valor por um processo de falência. Você pode tentar reestruturar a sua dívida, porém, é melhor estar preparado para pagá-la. A Resolute Energy, por exemplo, fechou um acordo de dívida de US$ 142 milhões que garante ao credor, a Highland Capital Management, um retorno de 25%. Em contrapartida pelo empréstimo de US$ 500 milhões, a Linn Energy cedeu à Blackstone uma taxa de participação operacional de 85% em alguns de seus poços. O lucro para os investidores atuais no setor de óleo de gás já começa na casa de dois dígitos. Se você estiver pensando em uma transação de M&A como forma de sair de uma situação adversa, também pode considerar uma venda a um preço muito baixo.

Entretanto, ainda resta muita incerteza. Talvez a transação de M&A possa vir a ser uma solução apenas temporária. Há a tendência de renegociação das condições do deal a favor do adquirente, já que o preço do petróleo continua instável. O desespero e fraca condição de barganha continuam afetando a avaliação do deal. A situação pode ser atraente e emocionante para investidores e empresas com sólida estrutura de capital, mas para outros menos afortunados, um retorno ao aumento dos preços do petróleo trazem grande esperança.



Allan Cunningham

Allan Cunningham

Allan Cunningham é executivo sênior de mídia e passou os últimos 15 anos da carreira trabalhando para algumas das empresas de mídia mais respeitadas de M&A e Private Equity, incluindo as publicações da Dow Jones, Private Equity Analyst e VentureWire, e, mais recentemente, The Deal. Ele desenvolveu vários negócios bem-sucedidos de conteúdo digital e de eventos, tanto de assinatura quanto com apoio de patrocinadores, distribuindo informações e serviços de marketing de conteúdo para clientes no ecossistema de M&A e de negócios mais amplos.

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