Mais de 1.000 Negociadores Comentam Sobre o Brexit: Será que o Mundo de M&A Sofrerá Abalos?

Entramos em contato com a comunidade global de M&A através de uma Pesquisa de Opinão sobre o "Pós-Brexit", e tivemos mais de 1.000 negociadores globais participando

25/08/2016

Mais de 1.000 Negociadores Comentam Sobre o Brexit: Será que o Mundo de M&A Sofrerá Abalos?

Antes do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) em 23 de junho, a Intralinks conduziu uma pesquisa "Pré-Brexit" com quase 1.500 negociadores globais, na qual apenas 20% acreditavam que o Reino Unido realmente votaria pela saída da UE. Portanto, a maioria estava errada. Agora que a decisão começa a ser assimilada, entramos novamente em contato com a comunidade global de M&A para avaliar o clima "Pós-Brexit", com a participação de mais de 1.000 negociadores globais.

No geral, eles ainda não estão satisfeitos. Apesar de terem visto níveis recordes de M&A nesses últimos anos, mais de 67% dos negociadores respondentes da pesquisa acham que a saída da Grã-Bretanha da União Europeia terá um impacto negativo sobre os volumes globais de deals no restante de 2016. Além disso, 70% dos negociadores globais pesquisados acreditam que até o Reino Unido esclarecer seu futuro relacionamento com a UE, haverá uma queda nos volumes de deals globais.

Segundo a pesquisa, os ativos europeus como um todo não são vistos como "mercadoria avariada", embora existam dúvidas sobre as avaliações. Em uma escala global, 58% dos participantes acreditam que a demanda por ativos europeus continuará igual ou aumentará nos próximos seis meses. No entanto, apesar de existir demanda, parece que o Brexit prejudicará a era dos mega deals, particularmente na Europa, pois 55% dos negociadores globais declaram também que os valores dos deals tendem a declinar na Europa, como consequência do Brexit.

Se voltarmos nossa atenção para os ativos na Grã-Bretanha, os resultados são um pouco preocupantes. A linha de pensamento que sugere que os ativos do Reino Unido se tornaram subitamente mais atraentes após o referendo foi colocada em cheque por nossa pesquisa. No momento, deals de grande valor desde o referendo, como a aquisição da Odeon & UCI Cinemas, dos EUA, pela AMC Entertainment Holdings (US$ 1,2 bilhões) e a oferta do Softbank do Japão pelo ARM Holdings (US$ 32 bilhões), estão sendo citados como prova de que os compradores estrangeiros ainda estão interessados em adquirir empresas do Reino Unido, e quem menciona tal interesse é especialmente o governo britânico. Então, será que a Grã-Bretanha está sendo realmente vista como um destino para caçadores estrangeiros de barganhas em M&A, devido à desvalorização da libra esterlina...?

...talvez não. Em termos globais, 66% dos negociadores participantes da pesquisa da Intralinks acham que a demanda por ativos da Grã-Bretanha diminuirá nos próximos seis meses. Os negociadores sentem claramente que certos níveis de incerteza envolvendo o Reino Unido são suficientemente elevados para anular os efeitos de preços mais baixos.

Mais destaques da pesquisa incluem:

• 61% dos negociadores na APAC acreditam que o Brexit terá impacto positivo em sua região ou não terá impacto algum.
54% dos negociadores dos EUA pensam o mesmo.
• 82% dos negociadores do Reino Unido acreditam que a decisão sobre o Brexit terá impacto negativo no Reino Unido. Curiosamente,
82% dos negociadores do Reino Unido acham improvável a transferência de seus negócios para outros locais em virtude da decisão do Brexit.
• 61% dos negociadores globais acham que é provável que outros países deixem a UE no ano que vem, mas 38% não preveem uma recessão global por causa do Brexit.

Então, o que podemos esperar do futuro? Bem, os resultados da nossa pesquisa indicam que, pelo menos em nível global, o "Brexit" pode não ser o fator desencadeador da crise econômica que muitos previam. O Reino Unido sofrerá, enquanto outras regiões poderão até mesmo se beneficiar quando os compradores buscarem negócios em outros locais. Contudo, os negociadores ainda estão preocupados em virtude do nível de incerteza que envolve o futuro papel do Reino Unido na Europa. Se começarmos a ver alguma estabilidade política e uma definição do futuro relacionamento da Grã-Bretanha com a UE, o impacto talvez não seja tão catastrófico quanto se previa originalmente. Por enquanto, é uma questão de "manter a calma e seguir em frente".



Philip Whitchelo

Philip Whitchelo

Philip Whitchelo é Vice-Presidente de Estratégia e Marketing de Produtos na Intralinks.

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