A estratégia correta de M&A para ter um desempenho superior ao do mercado e dos concorrentes

O desempenho do passado direciona a frequência de atividades de M&A das empresas ou a frequência das atividades de M&A direciona o futuro do desempenho dos negócios? Nova pesquisa de M&A fornece alguns insights.


1/12/2014

Não seria ótimo superar o desempenho do mercado e impulsionar o valor para o acionista? Isso é possível, desde que você tenha a estratégia correta de M&A para a sua empresa.
A maioria das pesquisas tentam avaliar a criação de valor para os acionistas de M&A, verificando o impacto das negociações individuais ao longo de períodos curtos. Mas para realmente determinar qual é a abordagem correta de M&A, nós da Cass Business School, City University de Londres fizemos uma pesquisa em parceria com a Intralinks que analisou as atividades de M&A e o desempenho dos negócios de 25.000 organizações globais (que participaram em mais de 200.000 negociações de M&A) durante um período de 20 anos.
Ao contrário dos estudos anteriores, nossa pesquisa analisou o desempenho global dos negócios das empresas em diversos períodos, usando um conjunto de amostras de empresas globais listadas publicamente. Usando análise de regressão de séries temporais, pudemos encontrar os elos de causalidade entre a frequência de M&A e o desempenho dos negócios das empresas. Assim, conseguimos descobrir se o desempenho anterior das empresas impulsiona a frequência de M&A ou o contrário — se, na realidade, a frequência das atividades de M&A impulsiona o desempenho futuro dos negócios.

Como superar o desempenho do mercado com aquisições e desinvestimentos

Nossa pesquisa sobre as relações entre o desempenho de M&A e seus efeitos sobre a criação de valor para os acionistas descobriu que quando uma abordagem estratégica é aplicada ao gerenciamento do portfólio de M&A, as empresas podem superar significativamente o desempenho do mercado e dos concorrentes.
O estudo mostra que quando as empresas estão inativas em termos de anúncios das atividades de M&A (aquisições ou desinvestimentos), elas terão um desempenho inferior ao do mercado e significativamente inferior ao desempenho das empresas ativas. O desempenho de retorno total para os acionistas de empresas que não anunciam nenhuma negociação de M&A é 1,5% ao ano mais baixo que o mercado e 3,2% ao ano mais baixo que as empresas que anunciam somente uma ou duas negociações em um período de três anos.
Por outro lado, as empresas que anunciam aquisições frequentemente superam o desempenho do mercado. Além disso, o desempenho de retorno total para os acionistas da empresa aumenta à medida que aumentam as aquisições da empresa. Já as empresas que anunciam menos de uma negociação de M&A por ano têm um desempenho superior ao do mercado em 0,1% ao ano. Quando as empresas anunciam uma ou duas aquisições anuais, ou mais de duas, elas têm um desempenho superior ao do mercado de aproximadamente 2% ao ano e 3,4% ao ano, respectivamente.
Para as atividades de desinvestimento isoladamente, o desempenho de retorno para os acionistas das empresas diminui significativamente com um número crescente de desinvestimentos. Essas empresas têm um desempenho inferior ao do mercado em cerca de 3% ao ano durante os períodos nos quais anunciam, em média, mais que um desinvestimento anual. Elas têm um desempenho superior ao do mercado somente quando anunciam um número limitado de desinvestimentos. O desempenho de retorno total para os acionistas durante os períodos nos quais as empresas anunciam somente de um a dois desinvestimentos é de 2,3% ao ano acima do mercado.

A abordagem correta com base na idade da sua empresa

Nossa pesquisa também encontrou uma relação entre as atividades de M&A e o nível de maturidade da empresa quando se trata de impulsionar o valor para os acionistas.
A estratégia correta de M&A deve refletir o estágio do ciclo de vida da empresa.
Empresas iniciantes: quando se é uma empresa iniciante nos três primeiros anos de listagens públicas, é preciso comprar para sinalizar crescimento para o mercado. Normalmente, essas empresas tendem a apresentar um desempenho inferior ao do mercado. No entanto, se tiverem uma estratégia de M&A no momento da listagem e puderem concluir aquisições com frequência nos três primeiros anos, elas poderão ter um desempenho significativamente superior ao do mercado. Esse tipo de comportamento ativo de M&A das empresas iniciantes envia sinais positivos para o mercado de que elas têm uma forte estratégia de crescimento inorgânico e podem executá-la.
Empresas mais antigas: se você for uma empresa mais antiga, ainda deverá comprar, mas também se desfazer de ativos com desempenho inferior (ou que não são mais essenciais). Após três anos da abertura de capital, quando as empresas atingirem um nível de maturidade, as organizações poderão superar o desempenho do mercado com um número limitado de desinvestimentos — cerca de um ou dois a cada três anos.
Então, retornemos à questão original: o desempenho anterior das empresas impulsiona a frequência de M&A ou a frequência das atividades de M&A impulsiona o desempenho futuro dos negócios? De modo geral, o desempenho mais fraco de M&A em períodos anteriores pode impulsionar as organizações para se tornarem ativas ou inativas, o que impulsionará, então, o desempenho inferior futuro das empresas inativas ou o desempenho superior futuro das empresas ativas. O forte desempenho anterior das atividades de M&A pode impulsionar as empresas para se tornarem extremamente ativas, o que pode reduzir os retornos futuros, levando a desempenhos inferiores.
Algumas conclusões: se sua empresa ainda não tem uma estratégia de M&A, é hora de adotar uma para evitar desempenhos inferiores, já que têm esse tipo de estratégia. Como observado anteriormente, a pesquisa mostra que as empresas inativas têm desempenho inferior ao do mercado e também, mais significativamente, inferior aos concorrentes mais ativos. As organizações que têm um programa estratégico de M&A darão melhores retornos aos acionistas. Ao participar de aquisições frequentes, elas permanecerão competitivas e enviarão sinais positivos para os investidores mostrando que têm uma estratégia inorgânica forte de crescimento de M&A. Essa estratégia inorgânica forte, que complementa uma estratégia orgânica, compensará em longo prazo com a remuneração de maiores valores aos acionistas.
Se quiser ler o estudo completo, baixe agora uma cópia gratuita do relatório Mestres da Negociação: Parte 1 - Aprendendo com as empresas mais bem-sucedidas



Professor Scott Moeller

Professor Scott Moeller

Scott Moeller é Diretor e fundador do M&A Research Centre da Cass Business School, onde também é professor de Prática Financeira. O livro mais recente de Scott foi publicado pela John Wiley & Sons em julho de 2009: Sobrevivendo em M&A: Making the Most of Your Company Being Acquired (Tirando o Máximo Proveito de sua Empresa Adquirida). Outro livro, agora na segunda edição de 2014 (com coautoria do professor Chris Brady), tem como título M&A Inteligente: Navegando no Campo Minado de Fusões e Aquisições.

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